02/12/2014

A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus

Monografia apresentada por André Aloísio, em 2014, ao Seminário Teológico do Nordeste, em Teresina-PI, como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Teologia.

A doutrina da Trindade consiste na afirmação de que há um Deus em três pessoas. Isso, no entanto, não explica como Deus é um e três simultaneamente. Este trabalho oferece essa explicação ao abordar o assunto da Trindade imanente ou ontológica, que diz respeito à Trindade em Si mesma, em contraste com a Trindade econômica, que é a Trindade em Sua relação com o mundo.

Ao tratar da questão da unidade e da diversidade em Deus, a tese deste trabalho é que a unidade da essência e a diversidade das pessoas são igualmente fundamentais em Deus. Isso é desenvolvido no sentido de afirmar tanto a consubstancialidade das pessoas e a habitação mútua entre elas quanto as distinções e relações entre as pessoas e a ordem entre elas. Toda essa tese é construída sobre a regra de que a Trindade econômica é a Trindade imanente, no sentido de que a revelação que Deus faz de Si mesmo reflete exatamente aquilo que Deus é em Si mesmo.

Para se defender essa tese, primeiramente, examina-se o desenvolvimento histórico da doutrina da Trindade imanente, com o objetivo de mostrar como a unidade da essência e a diversidade das pessoas em Deus foram entendidas no decorrer da História. Depois, analisam-se os fundamentos bíblicos da doutrina da Trindade imanente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, para verificar como a própria Escritura apresenta a unidade da essência e a diversidade das pessoas em Deus. Então, apresenta-se a formulação teológico-sistemática dessa doutrina, quando é demonstrada a tese de que a unidade da essência e a diversidade das pessoas são igualmente fundamentais em Deus. Conclui-se o trabalho, enfim, com aplicações dessa doutrina para diversos aspectos da Teologia e da vida.



Retratações:

Não acredito mais que o Filho obedece ao Pai na Trindade Imanente. Leia a monografia O Filho obedece ao Pai na Trindade Imanente? Uma avaliação da controvérsia recente.

Não acredito mais que Van Til está errado ao dizer que Deus é uma pessoa. Leia a momografia A Trindade é uma sociedade? Uma avaliação do trinitarianiamo social.

Passei a acreditar com o Cristianismo histórico e contra Calvino que a geração do Filho envolve sim a comunicação da natureza divina do Pai ao Filho.

14/12/2011

A palavra dita a seu tempo, quão boa é!

Por André Aloísio

“A palavra dita a seu tempo, quão boa é!” (Pv 15.23).

Esse provérbio é tão simples que parece nem exigir uma explicação. Mas mesmo com toda a sua simplicidade, quão frequentemente ele tem sido negligenciado em nossa prática, como se nem mesmo o conhecêssemos! Parece que nos esquecemos de que “tudo tem o seu tempo determinado” (Ec 3.1), inclusive “tempo de estar calado e tempo de falar” (Ec 3.7).

Às vezes falamos antes da hora. Não conhecemos alguém o suficiente, mas nos precipitamos em dirigir-lhe palavras românticas e sedutoras, iludindo seu coração e provocando sentimentos que não poderão ser correspondidos.

Às vezes falamos depois da hora. Não exortamos ou repreendemos nossos filhos desde sua tenra idade, mas deixamos para fazer isso na adolescência, quando a rebeldia já tomou conta de seus corações.

Às vezes falamos quando deveríamos estar calados. Um amigo perde de forma trágica um ente querido incrédulo, e tudo o que ele precisa é de alguém que o abrace e que chore com ele, mas nos apressamos em apresentar o destino eterno do falecido.

Às vezes ficamos calados quando deveríamos falar. Somos testemunhas do espancamento diário de uma vizinha pelo seu marido, mas preferimos não nos envolver e não denunciar.

A verdade é que dizer a palavra certa no momento certo não é algo fácil. “A língua, nenhum dos homens é capaz de domar” (Tg 3.8), já dizia Tiago. Mas essa dificuldade não é insuperável. Diz-nos outro provérbio que “o coração do sábio é mestre de sua boca” (Pv 16.23), o que nos mostra que um coração sábio pode domar a língua para falar no tempo apropriado. E àqueles que têm falta de sabedoria para tanto, Tiago incentiva: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1.5).

Nós precisamos viver esse provérbio. Precisamos entender a seriedade das nossas palavras e a importância de palavras apropriadas nas ocasiões apropriadas. Palavras mal utilizadas podem trazer morte, mas palavras a seu tempo, vida (Pv 18.21). Que nós saibamos dizer a palavra a seu tempo, “palavras agradáveis como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo” (Pv 16.24).

01/05/2002

Por amor vale a pena!

Por André Aloísio

Os nossos amores são os mais variados. Existem pessoas que amam acima de tudo um objeto. Outros, o dinheiro. Outros, ainda, uma pessoa. Mas diferentemente de todos esses, existem aqueles que amam o desconhecido, que amam aquilo que nunca viram, que amam Deus. Esses são os cristãos, que podem amar ao ponto de abandonar todos os antigos amores, para amarem somente Aquele que primeiro os amou.

Sim, os cristãos verdadeiramente amam. Mas eles amam porque Deus os amou primeiro (1Jo 4.19). O amor deles não vem deles mesmos, mas é um dom de Deus, o dom maior. Amor movido não pelo que veem, mas pelo que creem; amor que brota da fé.

Por esse amor tudo vale a pena! Vale a pena dar os bens aos pobres, ainda que isso venha a empobrecê-los; vale a pena ser açoitado, ainda que isso os leve à morte; tudo vale a pena por esse amor!

Nenhum desejo soberbo move esses homens; nada eles recebem pelo que dão, nada esperam receber; simplesmente amam. Amam aqueles que neles batem, os machucam, xingam e os perseguem. Recebem um tapa numa face e voltam a outra àquele que os machucou. Não pagam o mal com mal, nem o ódio com ódio; não estão debaixo da lei de talião, mas da Lei de Cristo, que assim diz: amai-vos uns aos outros, como Cristo vos amou (Jo 13.34).

Sim, amar como Cristo nos amou. Qual foi o amor que Cristo demonstrou a nós? A Sua morte! "Ninguém tem maior amor do que esse: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos" (Jo 14.13), disse Jesus com respeito ao Seu amor. Amar como Ele, isso é o que fazem aqueles que negaram-se a si mesmos, pegando a sua cruz. Aqueles que "em face da morte, não amaram a própria vida" (Ap 12.11). Aqueles que, pelo seu amor tão semelhante ao de Cristo, foram chamados "cristãos" em Antioquia (At 11.26).

Sim, pelo amor a Deus – não por aquilo que Ele faz, mas por aquilo que Ele é – todas as coisas valem a pena. Fiel é Aquele que fez a promessa: "Eis que venho sem demora, para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap 22.12).

01/04/2001

Pescadores de homens

Por André Aloísio

"Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." (Mateus 4.19).

Existem pescadores de todos os tipos. Existem aqueles que pescam peixes. Outros preferem ir atrás de siris. Outros, ainda, atrás de lulas. Mas diferentemente de qualquer um desses pescadores, existem ainda outros, que não pescam animais marinhos, mas seres humanos!

Jesus, quando foi chamar Seus apóstolos para o trabalho, disse uma coisa que parece estranha a muita gente: "vos farei pescadores de homens". Como alguém pode pescar homens? Jesus disse isso simbolicamente. Só os cristãos podem pescar homens e isso não com varas de pescar, mas com o evangelho de Jesus Cristo. Não com o objetivo de levá-los para casa, para servirem de alimento como os peixes, mas com o objetivo de levá-los para a eternidade com Cristo.

Isso não é um pedido, mas uma ordem! Jesus não disse isso dando aos cristãos a livre escolha para dizerem "não", mas esperando obrigatoriamente um "sim"! Esse chamado não se limita apenas a um grupo de indivíduos em particular, mas se estende a todos os filhos de Deus que "nasceram de novo", sendo agora servos fiéis ao Altíssimo.

Por isso, não fique esperando que alguém pesque almas em seu lugar, mas vá você mesmo e seja um pescador de homens! Pegue sua vara de pescar (a Bíblia) e vá para esse grande mar (o mundo) em busca de pesca (os seres humanos), a fim de levá-la junto com você para sua casa (a Jerusalém Celeste).

Populares