09/06/2018

O abismo e as águas: Uma análise do conceito de "abismo" no Novo Testamento à luz do Antigo Testamento e da apocalíptica judaica

Artigo apresentado por André Aloísio, em 2018, ao Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo, como requisito para aprovação na disciplina Apocalipse e Literatura Apocalíptica, ministrada pelo Prof. Rev. Leandro Lima.

O artigo analisa o uso do termo “abismo” em sua relação com as águas no Antigo Testamento e na apocalíptica judaica, para, então, trazer nova luz sobre o uso do termo no Novo Testamento. No Antigo Testamento, o abismo está associado com as águas profundas, assim como com a morada dos poderes do mal e com a morada dos mortos. Na apocalíptica judaica, o abismo também está associado com as águas profundas e com a morada dos mortos, mas é especialmente associado com um lugar de prisão temporária ou eterna para anjos caídos ou espíritos maus. Finalmente, no Novo Testamento, o abismo é tanto a morada dos mortos quanto a prisão temporária dos anjos caídos ou demônios. O artigo defende, porém, que a associação do abismo com as águas ainda está presente no Novo Testamento e ilumina o significado das passagens que fazem uso do termo “abismo”.


Resenha do livro A imaginação apocalíptica (John J. Collins)

Resenha apresentada por André Aloísio, em 2018, ao Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo, como requisito para aprovação na disciplina Apocalipse e Literatura Apocalíptica, ministrada pelo Prof. Rev. Leandro Lima.

Esse livro apresenta um excelente panorama da literatura apocalíptica judaica. Ainda que o livro seja introdutório e trate de alguns assuntos de maneira superficial, e ainda que o autor tenha algumas visões bem complicadas em relação à apocalíptica canônica, como é argumentado adiante, o livro é um excelente lugar para se introduzir no mundo dos apocalipses judaicos.

28/07/2017

O Filho obedece ao Pai na Trindade Imanente? Uma avaliação da controvérsia recente

Monografia apresentada por André Aloísio, em 2017, ao Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo, como requisito parcial para aprovação na disciplina Metodologia do Trabalho Científico, ministrada pelo Prof. Rev. João Paulo Thomaz de Aquino.

Em 2016, um debate ocorrido em blogs chamou a atenção para a controvérsia sobre a obediência do Filho ao Pai na Trindade imanente. Alguns defendiam que o Filho obedece eternamente ao Pai na Trindade imanente, enquanto outros negavam. Este trabalho aborda essa questão, defendendo que o Pai e o Filho são iguais em autoridade na Trindade imanente, não havendo qualquer relação de autoridade e obediência entre eles nessa esfera. Ao mesmo tempo, se reconhece que autoridade e obediência são assumidas eternamente pelo Pai e pelo Filho no pacto da redenção, que diz respeito à Trindade econômica, e que essa ordem presente na Trindade econômica está fundamentada nas relações de origem da Trindade imanente, como a geração eterna do Filho pelo Pai.

No primeiro capítulo, apresenta-se um breve histórico da controvérsia sobre a obediência do Filho ao Pai na Trindade imanente. No segundo capítulo, os argumentos dos que defendem uma ordem de autoridade e obediência entre o Pai e o Filho na Trindade imanente são examinados e refutados, mostrando-se que esse tipo de ordem só existe na Trindade econômica. No terceiro capítulo, são apresentados os argumentos contra o entendimento de que o Filho obedece ao Pai na Trindade imanente, levando-se à conclusão de que todas as pessoas divinas são iguais em autoridade e têm uma única vontade.


27/07/2017

A Trindade é uma sociedade? Uma avaliação do trinitarianismo social

Monografia apresentada por André Aloísio, em 2017, ao Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, em São Paulo, como requisito para aprovação na disciplina Doutrina da Trindade, ministrada pelo Prof. Rev. Heber Carlos de Campos Junior.

O trinitarianismo social é um entendimento sobre a doutrina da Trindade que vê as três pessoas como uma comunidade e prioriza-as sobre a única essência. Este trabalho é uma avaliação dessa perspectiva trinitária e pretende demonstrar, ao contrário do trinitarianismo social, que tanto a unidade da essência quanto a diversidade das pessoas são igualmente fundamentais em Deus.

No primeiro capítulo, define-se mais precisamente o trinitarianismo social como uma perspectiva que nega ser Deus monoconsciente e afirma-se mais detalhadamente a tese, no sentido de que a personalidade pode ser atribuída tanto à unidade quanto à diversidade divinas, e de que Deus é um ser tanto monoconsciente quanto triconsciente. O segundo capítulo apresenta um breve histórico do trinitarianismo social e seus principais expoentes. Nos terceiro e quarto capítulos, argumentos a favor e contra o trinitarianismo social são apresentados e a tese deste trabalho é desenvolvida, levando à conclusão de que a Trindade não é uma sociedade.


21/07/2016

O que é educação clássica?

Por Susan Wise Bauer

A educação clássica conta com um processo tripartido de treinamento da mente. Os primeiros anos da escola são gastos na absorção de fatos, lançando sistematicamente os fundamentos para o estudo avançado. Nas séries intermediárias, os estudantes aprendem a pensar através de argumentos. Nos últimos anos da escola, eles aprendem a se autoexpressar. Esse padrão clássico é chamado de “trivium”.

Os primeiros anos de educação são chamados de “estágio gramatical” – não porque você gasta quatro anos fazendo Português, mas porque esses são os anos em que os blocos de construção para todos os outros aprendizados são lançados, assim como a gramática é o fundamento para a linguagem. Nos anos elementares da escola – o que nós comumente pensamos como os primeiros quatro anos do Ensino Fundamental – a mente está pronta para absorver informação. Crianças nessa idade, na verdade, acham a memorização divertida. Assim, durante esse período, a educação envolve não a autoexpressão ou a autodescoberta, e sim a aprendizagem de fatos: regras de fonética e soletração, regras de gramática, poemas, o vocabulário de idiomas estrangeiros, as histórias da História e literatura, descrições de plantas, animais e do corpo humano, os fatos da matemática – e a lista continua. Essa informação constitui a gramática, ou os blocos básicos de construção, para o segundo estágio da educação.

Por volta do quinto ano, a mente da criança começa a pensar mais analiticamente. Estudantes dos últimos anos do Ensino Fundamental são menos interessados em descobrir fatos do que em perguntar “por quê?”. A segunda fase da educação clássica, o “estágio lógico”, é um tempo quando a criança começa a prestar atenção à causa e efeito, ao relacionamento entre os diferentes campos relacionados do conhecimento, à forma pela qual os fatos se ajustam em uma estrutura lógica.

Um estudante está pronto para o estágio lógico quando a capacidade para o pensamento abstrato começa a amadurecer. Durante esses anos, o estudante começa álgebra e o estudo da lógica, e começa a aplicar a lógica em todos os assuntos acadêmicos. A lógica da escrita, por exemplo, inclui a construção de parágrafos e o aprendizado para defender uma tese; a lógica da leitura envolve a crítica e a análise de textos, não a simples absorção da informação; a lógica da história demanda que o estudante descubra por que a Guerra de 1812* foi travada, ao invés de simplesmente ler sua história; a lógica da ciência requer que a criança aprenda o método científico.

A fase final de uma educação clássica, o “estágio retórico”, constrói sobre os dois primeiros. Nesse ponto, o estudante do Ensino Médio aprende a escrever e falar com força e originalidade. O estudante de retórica aplica as regras da lógica aprendidas nos últimos anos do Ensino Fundamental à informação fundamental aprendida nos primeiros anos do Ensino Fundamental, e expressa suas conclusões em uma linguagem clara, vigorosa e elegante. Os estudantes também começam a se especializar no ramo do conhecimento que os atrai; esses são os anos para acampamentos de arte, cursos na faculdade, intercâmbios, ensino profissionalizante e outras formas de treinamento especializado.

Uma educação clássica é mais do que simplesmente um padrão de aprendizagem, entretanto. A educação clássica é focada na linguagem; a aprendizagem é realizada através de palavras, escritas e faladas, ao invés de imagens (figuras, vídeos e televisão).

Por que isso é importante? A aprendizagem através da linguagem e a aprendizagem através das imagens requerem hábitos muito diferentes de pensamento. A linguagem requer que a mente trabalhe pesado; ao ler, o cérebro é forçado a traduzir um símbolo (palavras na página) em um conceito. Imagens, tais como aquelas em vídeos e na televisão, levam a mente a ser passiva. Na frente de uma tela, o cérebro pode “sentar atrás” e relaxar; encarando uma página branca, a mente é mandada a arregaçar as mangas e voltar ao trabalho.

Uma educação clássica, então, tem dois aspectos importantes. É focada na linguagem. E ela segue um padrão específico tripartido: a mente precisa ser, primeiro, suprida com fatos e imagens, depois, receber as ferramentas lógicas para organização dos fatos, e, finalmente, equipada para expressar conclusões.

Mas isso não é tudo. Para a mente clássica, todo conhecimento é inter-relacionado. A astronomia (por exemplo) não é estudada de forma isolada; ela é aprendida lado a lado com a história das descobertas científicas, o que conduz ao relacionamento da igreja com a ciência e dali para as complicações da história da igreja medieval. A leitura da Odisseia conduz o estudante à consideração da história grega, a natureza do heroísmo, o desenvolvimento do épico, e o entendimento humano do divino.

Isso é mais fácil de dizer do que de fazer. O mundo está repleto de conhecimento, e encontrar as ligações entre os campos de estudo pode ser uma tarefa que confunde a mente. Uma educação clássica enfrenta esse desafio tomando a história como seu esboço organizador – começando com os antigos e prosseguindo com os modernos em história, ciência, literatura, arte e música.

Nós sugerimos que os doze anos de educação consistam de três repetições do mesmo padrão de quatro anos: Antiguidade, Idade Média, Renascença e Reforma, e Tempos Modernos. A criança estuda esses quatro períodos de tempo em níveis variados – simples nos primeiros quatro anos, mais difícil do quinto ao oitavo ano (quando o estudante começa a ler as fontes originais), e tomando uma abordagem ainda mais complexa do nono ao décimo segundo ano, quando o estudante trabalha através desses períodos de tempo usando fontes originais (de Homero a Hitler) e também tem a oportunidade de seguir um interesse particular (música, dança, tecnologia, medicina, biologia, escrita criativa) com profundidade.

As outras áreas de assunto do currículo estão ligadas aos estudos históricos. O estudante que está estudando a história antiga lerá a mitologia grega e romana, os contos da Ilíada e Odisseia, escritos medievais antigos, contos de fadas chineses e japoneses, e (para os estudantes mais velhos) os textos clássicos de Platão, Heródoto, Virgílio, Aristóteles. Ele lerá Beowulf, Dante, Chaucer, Shakespeare no próximo ano, quando ele estiver estudando história medieval e início da renascença. Quando os séculos dezoito e dezenove são estudados, ele começa com Swift (As Viagens de Gulliver) e termina com Dickens; finalmente, ele lê literatura moderna enquanto está estudando história moderna.

As ciências são estudadas em um padrão de quatro anos que corresponde aproximadamente aos períodos da descoberta científica: biologia, classificação e o corpo humano (assuntos conhecidos dos antigos); ciência da terra e astronomia básica (que floresceu durante o começo da renascença); química (que começou a ser bem sucedida no começo do período moderno); e então física básica e ciência da computação (assuntos bem modernos).

Esse padrão traz coerência ao estudo da história, ciência e literatura – assuntos que são muito frequentemente fragmentados e que causam confusão. O padrão estende-se e aprofunda-se à medida que o estudante progride em maturidade e aprendizado. Por exemplo, um estudante do primeiro ano ouve você ler a história da Ilíada de uma das versões ilustradas disponíveis em qualquer biblioteca pública. Quatro anos depois, o estudante do quinto ano lê uma das adaptações populares para os últimos anos do Ensino Fundamental – The Trojan War [A Guerra de Troia], de Olivia Coolidge, ou The Tale of Troy [O Conto de Troia], de Roger Lancelyn Greene. Quatro anos se passam, e o estudante do nono ano – face a face com a própria Ilíada – mergulha de cabeça, destemido.

A educação clássica é, acima de tudo, sistemática – em contraste direto com a natureza dispersa e desorganizada de tanta educação secundária. Esse estudo sistemático e rigoroso tem dois propósitos.

O estudo rigoroso desenvolve virtude no estudante. Aristóteles definiu virtude como a habilidade de agir de acordo com o que alguém sabe ser correto. O homem virtuoso (ou mulher) pode forçar a si mesmo a fazer o que ele sabe ser correto, mesmo quando isso vai contra suas inclinações. A educação clássica continuamente exige que um estudante trabalhe contra suas inclinações mais básicas (preguiça, ou o desejo de assistir mais meia hora de TV) a fim de alcançar um objetivo – o domínio de um assunto.

O estudo sistemático também leva o estudante a participar do que Mortimer Adler chama de “Grande Conversação” – a conversação contínua de grandes mentes através das eras. Muita educação moderna é tão eclética que o estudante tem pouca oportunidade de fazer conexões entre eventos passados e a enchente da informação atual. “A beleza do currículo clássico”, escreve o professor clássico David Hicks, “é que ele demora-se sobre um problema, um autor, ou uma época tempo suficiente para dar, mesmo ao estudante mais jovem, a chance de exercitar sua mente de uma forma acadêmica: fazer conexões e traçar desenvolvimentos, linhas de raciocínio, padrões de ação, simbolismos recorrentes, tramas e motivos”.

* A Guerra de 1812, ou a Guerra Anglo-Americana, foi uma guerra entre os Estados Unidos e o Reino Unido e suas colônias (N.T.)

Tradução: André Aloísio Oliveira da Silva

Fonte: The Well-Trained Mind

10/07/2016

Fé, Esperança e Amor

Por André Aloísio

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13.13). A Bíblia frequentemente apresenta lado a lado a fé, a esperança e o amor. Essas três virtudes, conhecidas como “virtudes teologais”, porque têm sua origem em Deus, estão presentes em todos os cristãos e resumem o que é o Cristianismo. Mas das três, a maior é o amor.

A fé é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Ter fé é crer naquilo que não pode ser visto, por ser invisível: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29). Mais especificamente, a fé é dirigida ao Deus invisível (1Tm 1.17), Pai, Filho e Espírito Santo, como professamos no Credo Apostólico. Assim, a fé é importantíssima. Ela é o único instrumento da salvação (Rm 3.28) e sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Mas quando estivermos diante desse Deus Triuno e contemplarmos a Sua face (Ap 22.1-5), a fé não mais será necessária, pois será substituída pela visão.

A esperança, assim como a fé, também é dirigida àquilo que não pode ser visto. Mas no caso da esperança, isso não pode ser visto porque ainda é futuro. A esperança espera aquilo que ainda não chegou: “Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.24,25). Ter esperança é esperar pelo cumprimento das promessas de Deus na volta de Jesus, o qual é a nossa esperança (1Tm 1.1). Manifestamos essa esperança ao orarmos pelas promessas de Deus, como na Oração Dominical (Mt 6.9-13): “venha o teu reino”. Mas quando aquilo que aguardamos vier e as promessas de Deus se cumprirem, a esperança também dará lugar à visão.

O amor é a maior das três virtudes. Primeiro, ele não só é dirigido a Deus, ao qual devemos amar de todo coração, mas também ao próximo, ao qual devemos amar como a nós mesmos (Mc 12.30,31). Assim, o amor é o resumo da Lei, dos Dez Mandamentos (Êx 20.1-17). Além disso, ao contrário da fé e da esperança, “o amor jamais acaba” (1Co 13.8). Mesmo no mundo futuro prosseguiremos e cresceremos em amor a Deus e ao próximo, eternamente. Ainda mais, o amor é algo que o próprio Deus faz, pois amou o mundo e enviou o Seu Filho para salvá-lo (Jo 3.16). Isso faz do amor também um resumo do Evangelho. Por fim, o amor “resume” o próprio Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4.8). Na Trindade, o Pai ama ao Filho (Jo 5.20) e o Filho ama ao Pai (Jo 14.31) no Espírito (Mc 1.9-11). Ao amarmos, estamos imitando o próprio Deus (Ef 5.1,2). Assim, o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5.5) é o dom supremo.

Essas são as três virtudes fundamentais de todo cristão. Portanto, nos momentos de dúvida, tenha fé em Deus; nos momentos de ansiedade, tenha esperança nas promessas de Deus; mas, principalmente, tenha um amor absoluto por Deus e intenso por todos.

28/06/2015

E se Deus fosse um de nós?

Por André Aloísio

Na música “One of Us” (“Um de Nós”), grande sucesso dos anos 90, composta por Eric Bazilian e interpretada por Joan Osborne, uma pergunta é frequentemente repetida: “e se Deus fosse um de nós?”. Na música, essa pergunta expressa um duplo desejo: primeiro, o de que Deus não fosse apenas um Deus grande, muito acima de nós, mas também um Deus próximo da humanidade; segundo, o de que pudéssemos ver Deus em nosso próximo, amando os nossos semelhantes. Talvez Bazilian não soubesse, mas esse duplo anseio é satisfeito no Cristianismo. Como disse o teólogo Bavinck: "Das profundezas do coração humano nasce um anseio: que Deus abra os céus e desça. No Cristianismo os céus se abrem e Deus desce à terra".

Em Cristo, o Deus eterno (Jo 1.1-3) se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14). Ele se tornou um homem semelhante a nós em todas as coisas e foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado (Hb 2.14,17; 4.15). Como nós, Ele sofreu, e sofreu muito; Ele sabe o que é padecer (Is 53.3). Foi crucificado e morto pelos pecados do Seu povo (Mt 27.33-56). E agora, ressurreto dentre os mortos, à direita de Deus Pai, Jesus é alguém que entende os dilemas humanos e pode nos socorrer (Hb 2.17,18; 4.15,16). De fato, Jesus é “um de nós”, o “Emanuel”, o “Deus conosco” (Mt 1.23).

Mas, além disso, Jesus, esse Deus e Homem, formou um povo para Si, com todos aqueles que buscam socorro nEle, e fez deles o Seu próprio corpo (1Co 12.27). Isso é tão real que fazer o bem ou o mal a um dos membros do corpo de Cristo é fazer o bem ou o mal ao próprio Cristo (Mt 25.31-46; At 9.1-4). Assim, Deus é “um de nós” não apenas porque se fez homem, mas porque em nossos irmãos vemos a Deus, podendo amá-los de verdade (Jo 13.34,35). Isso não é panteísmo, aquela crença de que tudo é Deus. A questão não é que nós tenhamos nos tornado deuses, mas que Deus se tornou homem.

De fato, o Cristianismo satisfaz o duplo anseio expresso na música “One of Us”, que é o anseio de todo ser humano: em Cristo, Deus não é apenas o alto e o sublime, mas também aquele que habita com o contrito e abatido de espírito (Is 57.15), e em Cristo, vemos a Deus nos cristãos. Satisfaça o seu desejo pelo “Deus conosco” buscando socorro em Jesus e, assim, viva a realidade de ser corpo de Cristo no mundo!

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